domingo, 8 de fevereiro de 2015

Medo

Que medo é esse que me consome por dentro, me sufocando, abrindo minhas entranhas e vagando entre meus pensamentos? De onde ele veio e o que o motivou a aparecer tão de repente e sem motivo aparente? Como posso prosseguir com meus afazeres e com meus deveres, com meus amores infinitos e meus sonhos impossíveis se onde eu estou esse medo me acompanha ?

Quando penso naquele jardim em um dia ensolarado o qual está sempre presente em meus pensamentos e sentimentos mais profundos, sinto que nunca o alcançarei por algum motivo que me impede. Porém, não sei qual seria esse motivo que me segura, me prende e me proíbe de seguir adiante. Será que algum dia - mesmo que distante - eu conseguirei chegar a esse lugar único que não conheço, mas daria minha vida para conhecê-lo ?

Eu me esforço para não ouvi-lo, mas não consigo cumprir com essa árdua tarefa. Continuo me sentindo sufocado e sem esperança de algum dia me livrar desse fardo que carrego no meu interior, sentindo assim um desespero que quase me leva a loucura imediata.
Durante esse processo de afogamento amargo no meu casulo de incertezas e escuridões que se forma perante o medo que me cerca, eu só consigo pensar em desistir de tudo que faz sentido em minha vida. Qual pensamento poderia ter além desse - um que está me consumindo por inteiro - já que nada mais faz sentido e não existe mais uma esperança no futuro à frente. Sinto como se tudo se esvaísse do meu corpo como se minha alma não me pertencesse mais, como se tudo tivesse indo embora e apenas uma concha vazia ficasse aonde eu estou parado. 

Acredito que tudo chegue em um final. Sempre quis que quando o meu final chegasse fosse algo grandioso, que fosse lembrado por todos durante um bom tempo que se seguisse. Mas aqui estou eu - parado nessa escuridão gelada que me rodeia - sozinho e vendo que o meu final chegou de forma violenta e sem sentido. O meu medo me consumiu pela última vez e de forma definitiva.