Então eu acordo, tá escuro ainda então deve ser bem cedo. Pego meu celular e vejo a hora: 3:00 da manhã. Eu estava sonhando e sonhando com você, isso eu me lembro.
Estávamos parados, um olhando pro outro. Seu sorriso triste de canto de boca me chamava a atenção uma vez que não conseguia enxergar os seus olhos, cobertos pelo seu cabelo. Mas tudo estava cinzento, sem cor e sem vida.
Eu tentava te alcançar, sem sucesso. Tentava te tocar, te sentir ou mesmo me aproximar de você e não conseguia; meu braço não era longo o bastante e algo me prendia ao local em que eu estava.
Você então fala algo, mas não consigo te ouvir: estamos cada vez mais afastados. Você se levanta e começa a se afastar, e eu lhe peço para que repita e ao fazê-lo mais uma vez não consigo te ouvir. Eu grito, desesperado, para que você não se vá e que preciso saber o que está falando.
Você se vira e só consigo ler seus lábios: “acabou”.
Então acordo, nessa madrugada gelada e escura. Uma música abafada toca embaixo do meu travesseiro, através de minha caixinha de som.
O que isso significa? O que acabou propriamente dito?
Coço meu olho, mexo em meu cabelo e viro pro lado: preciso tentar voltar a dormir. Sem sucesso, mas eu tento me forçar a desligar minha mente nem que seja por alguns minutos, mas uma pergunta não saindo caminha cabeça:
Esse sonho seria algo póstumo, uma vez que você se foi a tanto tempo?
Gostaria de sonhar algo bom com você ao meu lado.