E tudo esta ficando mais frio. Sinto minhas forças acabando e todo meu calor se perdendo.
Eu estou morrendo? Sinto dificuldades em abrir os olhos, mas com muito esforço consigo levantar minhas pálpebras. Eu tô caído.
Escuto os gritos ao meu redor, palavras indecifráveis. Tudo ficando distante e baixo, quase não consigo mais ouvir.
Sinto um toque em meu ombro, mas não consigo me virar e ver de quem se trata essa mão sobre meu corpo.
O meu corpo esfria mais, a visão está fica cada vez mais embaçada e está doendo pra piscar. Os gritos parecem cessar por um minuto.
A mão em meu ombro parece apertar mais. Dói. Sinto tanta dor como se a mão atravessasse meu corpo e buscasse minha alma.
Abro um pouco o meu olho, vejo aquela poça vermelha ao meu redor. Consigo decifrar uma palavra trazida pelo vento: “bomba”.
Fecho os olhos mais uma vez. Faço um esforço pra manter a consciência, lembro de algo sobre “eles irão atacar”.
O vento carrega mais uma palavra: “religião”.
Sinto algo sendo colocado sobre meu rosto, não consigo entender direito mas algumas perguntas surgem com o resto de consciência que me resta.
Por que isso está acontecendo? Por que eu tinha que estar aqui?
Sinto a última fagulha de calor se esvaindo do meu peito. Sinto o frio me abraçando, assim como sinto a escuridão me envolvendo e me levando.
Com o silêncio, tudo se acaba; o frio domina; a morte me carrega.
Mais uma vida perdida, mais um número na conta da guerra.