domingo, 18 de janeiro de 2015

Dream Catcher

Ganhei um filtro dos sonhos. O nome é tão significativo, mas nunca parei pra pensar que se ele fosse mesmo um filtro de sonhos, eu provavelmente seria a consumidora número um.
Não quero filtrar os pesadelos, se é isso o que parece. Gostaria de filtrar os sonhos bons. Aqueles que trazem boas lembranças, que nos mostram felizes e completos, repletos de sentimentos que nos fazem sentir vivos mesmo quando aquilo nem é real.
O filtro dos sonhos é usado em uma tribo indígena norte americana que acredita que decifrar sonhos é a tarefa mais importante do homem na passagem pela vida. Essa tribo acredita que quando caímos no sono, os sonhos – bons e ruins – pairam pelo ar e podem conter uma importante mensagem. Cabe ao filtro deixar essas mensagens o mais claras possível.
Decifrar os sonhos pode ser uma tarefa confusa e difícil, mas e quando eles são claros até demais? Há uma mensagem neles?
As memórias agem da mesma forma. As coisas são realmente como lembramos? Ou são só da forma como nós queremos lembrar? Há alguma mensagem nelas?
Queria poder filtrá-las ou até mesmo apagá-las. Sei que dependo delas para ser como eu sou, mas eu queria mesmo que por pouco tempo, me livrar delas e me sentir viva novamente.
Queria me sentir viva como nos meus sonhos. Com ou sem o filtro, sinto como se vivesse à noite, e dormisse durante o dia. A realidade pode ser bem decepcionante, ainda mais quando sentimos falta de algo que nem remotamente tivemos. Parece uma memória ruim, martelando na cabeça, como se quisesse dizer algo. Esse alguém aparecendo em todos eles, de formas diferentes, com vidas diferentes. Sempre a mesma pessoa, rasgando o filtro e resgatando suas memórias assim que você acorda.
A cada dia, sinto mais medo de sonhar. Sinto medo de que não há mensagem alguma, e você é apenas um fantasma em forma de passado para me assombrar.