A melhor e a
pior hora do dia. Penso em tudo e não penso em nada. Tão bonita a vida que
escrevi na minha mente. Cheia de coisas bonitas e simples, cheias de
significado. As coisas lá fora são tão complicadas, vazias, tristes e
cinzentas. Todas na superfície. Nada é profundo e duradouro. O tempo é frágil e
parece mal calculado.
Fiz mil planos
nessa hora do dia. Alguns tinham você, outros só um corpo sem rosto, me
esperando pra contar as estrelas. Outros ainda não tinham ninguém. Só um
apartamento vazio e um gato laranja. Em alguns, eu era mais bonita. Em outros,
eu era um outro alguém. Conheci vários mundos, várias dimensões e várias linhas
do tempo. Chame como quiser, eu fugi da realidade.
Em nenhum dos
meus planos, tinha um adeus. Em nenhum deles eu sofri.
O estranho é que
nesses planos e até na vida real, eu achava que tinha controle sobre uma coisa
em que todos achamos poder segurar nas mãos: o tempo. Ele escorre por
entre nossos dedos e não há nada que possamos fazer para que ele fique firme e
sólido.
Sempre achamos
que temos tempo. A verdade é que não temos. A parte mais importante da
existência é o presente, e todas aquelas perguntas que nos atormentam não
precisam de resposta. Elas precisam de ação. Aquele eterno clichê de “só se
vive uma vez” deveria ser o lembrete de todos os dias da existência, pois não
há tempo para o depois.