Essa noite eu tive um sonho: sonhei que nós havíamos finalmente casado e estávamos construindo nossa casa. E tijolo por tijolo, pedra por pedra, nós construímos nossa casa. Nosso lar, nossa fortaleza.
E dia após dia, fomos vivendo juntos; aprendendo juntos, errando juntos. Tivemos brigas e risadas; choros e sorriso; amor e raiva.
Mas sempre fomos nós e isso era o que mais importava. Sempre fomos nós dois contra o mundo, nós dois em todas as derrotas e em todas as vitórias; sempre fomos nós dois para tudo.
E então nossa pequena nasceu. Toda pequena, com a minha boca e o seu nariz; seus cabelos castanhos mais claros como os seus; seu riso fácil característico de nos dois.
Não me lembro o nome dela apenas de chama-la de minha lobinha, já que ela gostava tanto da minha tatuagem de lobo no braço.
E meu sonho terminou quando estávamos levando nossa lobinha para seu primeiro dia de aula na creche: lembro até agora que ela estava de vestido e com um lacinho no cabelo.
Então eu acordei, mas não me levantei. Por um minuto fiquei ali, deitado na penumbra - não havia terminado de amanhecer ainda - e com a mão em direção ao teto.
Tentando alcançar algo que não estava ali e não estava tão ao meu alcance. Não nesse momento pelo menos. Uma lagrima escorreu de meus olhos e um aperto tomou o meu peito.
Olhei para o lado e você tava ali, dormindo abraçada com a Pandora, sem nem imaginar o que passara por minha cabeça. Será que você sonhou algo parecido? Será que você estava no meu sonho comigo?
Passo a mão em seu cabelo e você se aconchega, deita no meu peito e suspira. Suspira como se sentisse o que eu estava sentindo.
E ao fazer isso, você me acalma. Você me da força pra alcançar meu maior sonho.
Aguente um pouco mais, lobinha. Papai está chegando.