Nessa noite eu estava sozinho. Cabeça cheia, coração vazio, alma leve e corpo pesado. Estava lá fora, sentindo a brisa noturna tocando o meu corpo. Um leve arrepio como se algo estivesse tocando minha alma, meu corpo, minha vida.
Imóvel eu permaneci.
Até que algo me fez olha pra cima.
Então eu a vi.
Parada, com sua claridade e toda sua imponência, no ceu noturno. A lua que sempre serviu de inspiração para poetas, músicos e todos os tipos de pessoas.
Por um momento eu me senti acompanhado. Me senti acolhido.
Então vindo do nada, uma gota de chuva atingiu o meu rosto. Logo abaixo do meu olho direito, como se fosse uma lágrima solitária. Nesse momento eu entendi. Eu não estou sozinho. Eu nunca fiquei sozinho. Alguém sempre olhou por mim. Mas quem? A lua? As estrelas? Algum ente querido que já se foi a algum tempo? Alguma divindade?
Talvez não tenha nunca uma resposta pra essa pergunta.
Então chove. Sem aviso, sem previsão. Apenas chove.
E do mesmo jeito que a chuva veio sem avisar, minhas lágrimas também chegam do nada. Sinto que a chuva lava minha alma; leva embora todo o peso que eu mantive guardado comigo. E sem perceber, já estou olhando pra lua com os olhos marejados e completamente vermelhos de tantas lágrimas que solto. Olhando para ela só consigo pensar em uma única coisa. E apenas uma palavra sai de meus lábios.
-Obrigado.