sexta-feira, 13 de março de 2015

Everybody's Changing

   Acho que todos nós passamos por grandes decepções, e algumas delas têm o poder de nos mudar para sempre. É tão comum ouvir: “se há algum tempo, alguém me dissesse que eu faria isso, eu jamais acreditaria.” Mas a verdade, é que não conseguimos ser a mesma pessoa por muito tempo. Há sempre um momento decisivo que acaba nos mudando, seja para melhor ou pior.

   Eu era tão romântica. Demais, em minha opinião. Acreditava no amor e que em algum lugar por aí, estava a pessoa certa pra mim, e que seria perfeito e eterno. Coisas da Disney. Mas aí, vieram as decepções. Não mudei na primeira, nem na segunda. Mudei naquela em que disse que nunca mais passaria por aquilo de novo. Mudei quando não podia suportar mais e quando me marcou para sempre. Eu queria esquecer, pois sei que vou me lembrar disso pra sempre, mesmo que um dia não machuque mais. Dizem que colocar pra fora ajuda, mas acho que se eu guardar bem lá no fundo, talvez isso tudo suma.

   Ir embora sempre foi o meu forte. Mesmo quando não tenho pra onde ir, acho um jeito de fugir. Foi ótimo ficar longe do passado, mas o que eu não sabia, era que acabaria me perdendo no meio do caminho. Não me lembro mais como era antes, quando eu tinha raízes. Nem me lembro se eu tive isso ou não. Talvez um dia eu aprenda a criá-las. Ter amigos por mais de cinco anos, fazer amizade com o cabeleireiro, saber pra onde ligar quando quiser chorar, ter um lugar preferido na cidade, fazer planos, encontrar com conhecidos na padaria, fazer amizade com os  vizinhos, ver os outros envelhecerem com você. Pode até ser supervalorizado, mas ninguém pode negar que é muito bom.

   Não tenho um lugar preferido, só onde eu gostaria de estar. Não tenho amigos que me conheceram quando eu era criança, e não sei direito como voltar da biblioteca. Tenho a esperança de que um dia eu tenha tudo isso, pois não quero ir embora de novo. Quero sentir que estou no lugar certo, e de que pertenço à algo. Quero alguém que seja minha casa. Chega de mudar. Chega de fugir.

   Para algumas pessoas, lembranças boas são ótimas em um domingo, mas as minhas só me lembram de que preciso criar novas. As que me atormentam parecem velhas demais.